sábado, 26 de abril de 2014

O mundo pode ser bom quando a bruxa te assombra

Eu acredito que as pessoas podem ser boas. Achei que tivesse perdido essa crença, que tivesse "crescido", enfim. Porque dizem sempre que acreditar nas pessoas é coisa de criança, de gente besta, de gente que só quebra a cara. E quando nós, que acreditamos, quebramos a cara, a culpa nunca é de quem é rude. A culpa nunca é de quem fala as palavras cortantes, de quem silencia o outro, de quem se nega a ouvir. Pelo contrário, a culpa acaba sendo da vítima. "Você não devia confiar, você não devia ter esperado nada, pra quê foi fazer isso?". Quase um "pra quê saiu de roupa curta?" em casos de abuso.
Mas continuo acreditando. Tal qual o menino moleque que mora no coração do poeta, eu acredito nas coisas bonitas que não deixarão de existir. Há quem diga que sou mimada por isso, por ficar chateada quando não são sinceros comigo, por me irritar com a aspereza e por esperar alguma compreensão. Não sei. Cresci num lar no qual as pessoas me respeitavam. Tudo bem que agora andam tirando as almofadas, orientados por essa noção torta de amadurecimento, mas ainda assim a vida é macia. Acho que fui mal-acostumada.

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